na noite, a cidade acorda:
a quietude desperta
o que o dia dispersa.
o invisível vem à luz
da noite, que o conduz
a caminhos controversos.
na noite, a cidade é outra:
a pedra estilhaça os espelhos
e Narciso se perde entre os cacos:
caleidoscópio de dejetos indesejáveis.
sob a cidade há outra cidade:
fúria de águas represadas
rompendo dutos subterrâneos -
subversão das faces contra as botas.
na noite, a cidade é pó,
é pau, é pedra
quebrando a pétrea rotina
irregular e nada retilínea;
não reprime o que é,
nem o que pode ser.
o asco, o nojo e o lixo
se entrelaçam no abismo
com o sublime
o impossível não existe
na noite
da cidade.
na noite
da cidade.

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